Após ter tomado conhecimento do comunicado emitido pelo S.C.Farense, e dos comentários colocados no Blog, quer quanto ao processo judicial quer relativamente á minha pessoa e a meus familiares directos, resolvi esclarecer e divulgar alguns dados do mesmo, para que todos, sem excepção, possam entender o motivo pelo qual a situação chegou até aqui. Assim:
1- Este processo teve o seu inicio em 2004. Após varias tentativas frustradas de obter o pagamento ou alguma garantia e sem que tivesse qualquer tipo de resposta da então Direcção do S.C.Farense, dei efectivamente instruções ao meu Advogado para que avançasse judicialmente. O processo teve então de avançar pelo incumprimento reiterado do clube e principalmente pela desconsideração pela minha pessoa e pela falta de informação quanto ao que iria suceder no futuro. Quis precaver-me da possível extinção do clube, para ter ainda alguma possibilidade (no futuro) de receber os meses aos quais tenho direito por integral cumprimento das minhas obrigações como trabalhador. Quem trabalharia 16 meses sem receber e não reclamaria o fruto do seu trabalho? Algum dos directores de então e dos actuais, estaria 16 meses a trabalhar sem receber e ficaria impávido e sereno sem nada fazer para receber o que é seu por direito? Não me parece…
2- Relembro que abdiquei ainda de alguns meses de trabalho efectivamente prestado. O valor que então reclamei e reclamo refere-se a cerca de 16 meses de salários em atraso. Desde a data em que intentei o processo (2004), até á data da Sentença (2010), passaram-se 6 anos, e durante esse período nenhum responsável do clube me comunicou o que quer que seja quanto a esta questão, fosse para tentar um acordo ou sequer para pedir que perdoasse a divida ou dar conta de qualquer outra possível solução. Nada!
3- Tudo tentei para resolver a questão pela via consensual e não judicial. Acontece porém que, em Maio de 2010, o tribunal condenou o S.C.Farense ao pagamento da divida e consequentemente, o meu advogado, num expediente lógico e usual após o trânsito em julgado da Sentença, solicitou na FPF, o impedimento de o clube registar novos contratos e renovar os existentes até que se mostrem pagas as quantias reclamadas.
4- Apenas depois de a FPF ter notificado o clube, fui contactado pelo actual presidente, Sr. António Barão, no intuito de chegarmos a um acordo. Como se constata, em 6 anos, apenas após terem conhecimento do impedimento, é que fui merecedor de um telefonema.
Reitero que sempre foi a minha intenção, ainda antes do inicio deste processo, como é mais uma vez, que se alcance um acordo que não prejudique o SC Farense, mas que salvaguarde também os meus direitos. Existe grande vontade das partes de o fazer, tendo já iniciado conversações nesse sentido, apesar de neste momento estar ainda em suspenso, aguardando um contacto do Presidente António Barão.
5- A todos os Farenses e àqueles que duvidaram ou duvidam de ser tão ou mais Farense que eles, quero afirmar que jamais foi ou é minha intenção prejudicar o meu clube e a minha cidade, pois estive ligado como atleta durante 16 anos ao clube, o que muito me honrou e que dignifiquei a camisola que vesti, sendo sempre um excelente profissional, pois ninguém me pode apontar seja o que for, independentemente das minhas qualidades como atleta. (o meu percurso fala por si)
6- Desejo e tenho a convicção de que tudo se irá resolver para o bem de todos podendo assim o SC Farense dar continuidade á sua recuperação em termos financeiros e desportivos, e espero poder acompanhar este percurso que levara o clube até àquele que é, por direito próprio, o seu lugar.
Espero que este comunicado tenha sido esclarecedor para todos aqueles que tiraram ilações precipitadas e criticaram, sem conhecimento de causa, podendo agora ter uma opinião justa sobre todo este processo e as pessoas envolvidas.
Com os melhores cumprimentos:
Hugo Gomes


